Já conhecia
METÁFORA, de Gilberto Gil, gravada no LP "Um banda Um", de 1982. Mas, a exemplo de inúmeras outras canções, eu nunca tinha parado para prestar atenção na letra. O nosso Ministro da Cultura, de uma forma bem petulante até, decreta ao ouvinte que ele "não se meta a exigir do poeta que determine o conteúdo em sua lata". Gil -de acordo com o que se lê em "Todas as Letras", livro organizado por Carlos Rennó- pede que lhe deixem livre e alude ao fato de "(...) a poesia e a arte em geral pertencerem ao mundo da indeterminação, da incerteza, da imprevisibilidade, da liberdade, do paradoxo."
Lembro-me de que, quando assisti pela primeira vez a um espetáculo de Bob Wilson, depois da primeira hora me senti muito cansado por tentar entender, identificar símbolos e explicar para mim mesmo o significado das cenas apresentadas. Depois que desisti, e passei a deixar que aquelas imagens estranhas e muito belas se me entrassem pelos olhos e atingissem meu coração, curti três horas de êxtase!
Através desta letra, tento pedir ao público que não procure significados, apenas deixe-se levar. Às vezes acontece. Às vezes não.
Uma lata existe para conter algo
Mas quando o poeta diz: "Lata"
Pode estar querendo dizer o incontível
Uma meta existe para ser um alvo
Mas quando o poeta diz: "Meta"
Pode estar querendo dizer o inatingível
Por isso, não se meta a exigir do poeta
Que determine o conteúdo em sua lata
Na lata do poeta tudonada cabe
Pois ao poeta cabe fazer
Com que na lata venha caber
O incabível
Deixe a meta do poeta, não discuta
Deixe a sua meta fora da disputa
Meta dentro e fora, lata absoluta
Deixe-a simplesmente metáfora
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